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Da União Soviética à CEI
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A União Soviética foi a principal vítima do fim da Guerra Fria. Dois anos depois da queda do Muro de Berlim, o Estado soviético entrou em processo de decomposição.

A Rússia emerge, no final do século, como herdeira do poderio geopolítico e termonuclear da União Soviética. Na sua periferia quase todas as repúblicas soviéticas, precariamente reagrupadas na Comunidade de Estados Independente (CEI), exibem um panorama de tensões e conflitos.

A decomposição da União Soviética foi precipitada pela tentativa de golpe contra seu último chefe de Estado, Mikhail Gorbatchev, em agosto de 1991. O fracasso do golpe, promovido pela burocracia comunista, desmoralizou o PCUS (Partido Comunista da União Soviética) e determinou o desmantelamento da estrutura estatal soviética.

Em dezembro, o presidente da Rússia, Bóris Yeltsin, proclamou o fim da União Soviética e, ao lado dos chefes de Estado da Ucrânia e Bielarus, a formação da CEI. Nos dias que se sucederam, oito repúblicas aderiram à nova Comunidade. A Geórgia viria a aderir apenas em 1993, sob forte pressão das reivindicações separatistas internas. Os Estados bálticos – Lituânia, Letônia e Estônia – preferiram permanecer a margem, como países independentes.

A desagregação da rígida arquitetura da União Soviética descongelou tensões latentes. Conflitos entre as novas repúblicas independentes – como a disputa entre a Armênia e o Azerbaijão -, tensões internas envolvendo minorias étnicas e nacionais – como ocorre na Geórgia e na Moldova. Atritos envolvendo minorias russas – como na Ucrânia – compõem um cenário turbulento e imprevisível.

Entretanto, a principal fonte de tensões no imenso território da antiga União Soviética reside na presença de minorias populacionais de origem russa disseminadas por todas as novas repúblicas independentes. Os russos étnicos que migraram durante o processo de "russificação" promovido por Josef Stálin entre as décadas de 1930 e 1950, representam mais de 35% da população do Casaquistão, mais de 30% na Estônia e Letônia, mais de 20% na Ucrânia. Esse fenômeno demográfico e étnico funciona como estopim de atritos envolvendo a poderosa Rússia e, ainda, é pretexto para que Moscou amplie a sua influência sobre as antigas república soviéticas.

O poder e a tradição imperial russa permitem prever a recentralização da maior parte do território da Antiga União Soviética. Aos poucos, Moscou consolida a sua influência sobre o conjunto da CEI, definindo um espaço geopolítico sob controle indireto da Rússia.


Última Atualização: quinta-feira, 04 de maio de 2006 às 18:24
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