| COMEÇA A DESINTEGRAÇÃO DO
IMPÉRIO
MAPA DA CEI O golpe de agosto de 1991
praticamente abriu as comportas para o movimento de independência das repúblicas que
compunham a União Soviética. As repúblicas do Báltico já tinham tentado separar-se em
1990, mas foram severamente reprimidas, pagando com sangue sua ousadia. Com o fracasso do
golpe, o cenário mudou totalmente. As forças conservadoras estavam derrotadas e quem
mandava realmente era Bóris Yeltsin e não mais Gorbatchev, cujo poder estava
completamente esvaziado. Assim, já no mês seguinte ao golpe, isto é, em setembro, as
repúblicas da Letônia, Estônia e Lituânia, uma após a outra, reafirmaram, agora em
caráter definitivo, suas declarações de independência. A própria Rússia foi um dos
primeiros países a reconhecer a independência dessas repúblicas. Estava aberto o
processo para as outras, que também, na sua grande maioria, declararam-se separadas.
Outra conseqüência importante do golpe foi a suspensão, determinada por
Yeltsin em toda a Rússia, das atividades do Partido Comunista, que implicou inclusive o
confisco de seus bens.
A KGB teve sua cúpula dissolvida.
Gorbatchev admitiu a implosão da União Soviética mas tentou ainda
manter o vínculo entre as repúblicas, propondo a assinatura do chamado Tratado da
União. Mas suas palavras não fizeram eco e o processo de separação se tornou
irreversível. Isto preocupou o Ocidente, e os Estados Unidos em particular, pois surgiu
uma questão inevitável: com o desmoronamento da União Soviética, a quem caberia o
controle sobre as armas nucleares?
Em 4 de setembro de 1991, Gorbatchev, como presidente da União
Soviética, e Bóris Yeltsin, na qualidade de presidente da Rússia, e mais os líderes de
outras nove repúblicas, em sessão extraordinária do Congresso dos Deputados do Povo,
apresentaram um plano de transição para criar um novo Parlamento, um Conselho de Estado
e uma Comissão Econômica Inter-republicana. Embora tentasse estabelecer os parâmetros
para uma nova união entre as diversas repúblicas, este plano, na verdade, significava o
desmantelamento formal da estrutura tradicional do poder soviético. De qualquer forma, a
proposta acabou sendo aprovada.
Percebendo a importância de Gorbatchev para a estabilidade da nação,
naquele momento, Yeltsin prometeu o apoio da República russa ao novo plano.
Enquanto isso, os líderes ocidentais também davam sinais de uma clara
preferência pela permanência de Gorbatchev no poder, embora demorassem a assumir o
compromisso de uma ajuda econômica mais efetiva à União Soviética.
De resto, era justamente o agravamento da situação econômica que
tornava mais delicada a posição de Gorbatchev. Decididamente, o povo soviético estava
impaciente diante da falta de perspectivas de solução rápida para o desabastecimento do
mercado interno.
Aprovado o plano de mudanças, faltava agora conseguir a assinatura do
Tratado da União com todas as repúblicas. Mas em 1º de dezembro de 91, a situação se
precipitou com a consolidação da independência da Ucrânia, aprovada em um plebiscito
com uma votação favorável de 90% de sua população.
Numa espécie de golpe branco contra Gorbatchev, sete dias depois, os
presidentes das repúblicas da Rússia, Ucrânia e Bielo-Rússia, reunidos na cidade de
Brest, criaram a Comunidade de Estados Independentes (CEI), decretando o fim da União
Soviética.
Diante disso, James Baker, secretário de Estado norte-americano,
declarou: "O Tratado da União sonhado pelo presidente Gorbatchev nunca esteve tão
distante. A União Soviética não existe mais".
De fato, em 17 de
dezembro Gorbatchev foi comunicado que a União Soviética desapareceria oficialmente na
passagem de Ano Novo.
Na seqüência, no dia
21 de dezembro, os líderes de 11 das 15 repúblicas soviéticas reuniram-se em Alma-Ata,
capital do Casaquistão, para referendar a decisão da Rússia, Ucrânia e Bielo-Rússia e
oficializar a criação da Comunidade de Estados Independentes e
o fim da União Soviética.
Gorbatchev,
agora, governava sobre o vazio.
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